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Ajuda a Ana Gaivão Cordovil a lutar pela liberdade dos seus filhos.

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Desde Julho 24, 2024
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Ajudem os Meus Filhos

O meu nome é Ana Gaivão Cordovil e sou portuguesa.

A 24 de julho de 2024, sem aviso prévio, o pai dos meus filhos, Fernando Menéndez Zeppilli, sequestrou os nossos dois filhos de Espanha, onde vivíamos, para o Peru. Fê-lo porque a legislação espanhola, portuguesa e europeia permite que um dos progenitores leve os filhos sozinho para fora da União Europeia sem a autorização escrita do outro. Os meus filhos só tinham 4 e 2 anos; o mais novo nunca tinha dormido separado de mim nem uma noite.

Apanhada de surpresa com esta atitude, viria a perceber que a sua iniciativa tinha sido preparada com antecedência, contando com apoios da sua família e de advogados especializados neste tipo de processos. Com efeito, os meses que se seguiram foram marcados pelo afastamento forçado do Rafael e do Felipe do meu contacto, sem atender ao sofrimento que lhes seria causado e com a conivência de diversas instâncias judiciais no Peru.

Depois de mais de 1 ano de separação forçada, incluindo vários períodos de mais de 1 mês sem qualquer contacto e sem saber a localização dos meus filhos, no dia 31 de Julho de 2025 o Rafael e o Felipe voltaram finalmente a viver comigo. Como resultado do que viveram, os meus filhos foram diagnosticados com trauma severo e sintomas ansioso-depressivos por 3 psicólogos diferentes nessa data. Apesar das acções cometidas pelo seu pai, este ficou com o direito a vê-los 3 vezes por semana todas as semanas até à data, o que requere a nossa presença constante em Lima.  

O Rafael e o Felipe têm frequentado estabelecimentos escolares adequados à sua idade, beneficiam do meu afeto e cuidados, de acompanhamento terapêutico profissional, assim como de melhores condições de convívio com outras crianças, e revelam-se progressivamente mais recuperados do trauma e perturbação psicológica e emocional gerados pela separação da mãe durante mais de 1 ano. Dou todos os dias o meu melhor pelo seu bem-estar, mas continuamos limitados na nossa liberdade, obrigados a viver em Lima, sem poder viajar ou visitar a nossa família na Europa.

Por outro lado, fui obrigada a abandonar o meu emprego em Madrid, vivo em Lima, onde não tenho familiares e sou confrontada permanentemente com a pressão e ameaças do pai dos meus filhos e da sua família, que contam com recursos materiais avultados e o recurso a redes de influência (no sistema judicial, nos meios mediáticos, etc.), num país com altos índices de corrupção e de insegurança.

Tenho contado com a solidariedade de alguns amigos em Lima. No plano judicial, desenvolvi todas as iniciativas ao meu alcance para defender os meus filhos. Conto, para o efeito, com o apoio de advogados no Peru e em Espanha, onde decorrem também processos judiciais. A vida em Lima, sem trabalhar, e o apoio de advogados tem pesadas consequências no plano material.

Quando sequestrou os nossos filhos, o pai apropriou-se também da maior parte das nossas poupanças para que eu não pudesse defender os nossos filhos. Já gastei todas as minhas poupanças e tive que me endividar para poder lutar pelos meus filhos. Desde que tenho as crianças ao meu cuidado, ainda não recebi nem 1 euro do pai delas, apesar de já haver ordens judiciais desde novembro de 2025 que lhe ordenam fazê-lo.

Os meus pais, irmãos e outros familiares próximos, têm-me acompanhado e apoiado, embora com as limitações decorrentes da distância e também dos recursos materiais disponíveis. Até agora, este processo implicou já gastos superiores a 500.000€ e não sei quando terei condições de regressar à atividade profissional, tendo em conta a nossa precária situação atual.

Hoje, os meus filhos e eu continuamos sendo vítimas de ataques constantes, estando vulneráveis a que algo mais grave nos aconteça, sendo que temo diariamente pela nossa segurança.

Recebo de Portugal diversas manifestações de solidariedade para com o drama que os meus filhos, e eu própria, enfrentamos e agradeço-as, em particular a adesão de mais de 1.000 cidadãos portugueses à subscrição da Carta Aberta apresentada ao Presidente da República e ao Governo, no passado dia 8 de setembro de 2025.

Reconheço o acompanhamento próximo do processo e a solidariedade manifestada desde o início pelo Senhor ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assim como do atual Senhor Presidente da República, António José Seguro, que tem demonstrado solidariedade e acompanhamento institucional em relação ao nosso processo.

Depois de quase 2 anos de silêncio relativamente ao nosso caso, finalmente conseguimos estabelecer uma linha de contacto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo que os meus pais foram recebidos pelo Senhor Secretário de Estado das Comunidades no dia 21 de abril. Neste momento contamos com canais de comunicação abertos em dita Secretaria de Estado e na Embaixada de Portugal em Lima, sendo que até à data ainda não se puderam concretizar ações que alterem a nossa situação de vulnerabilidade.

Continuarei a apelar para que o Governo português faça tudo ao seu alcance para proteger e garantir os direitos dos meus filhos como cidadãos portugueses e europeus. O Governo deve-me, a mim e aos meus filhos, o dever de proteção da nossa segurança, da nossa liberdade, como cidadãos nacionais que enfrentam uma difícil situação num país estrangeiro, sendo que esta situação é resultado direto de lacunas severas no controlo de fronteiras em Portugal e na Europa.

Com este site espero informar e sensibilizar todos os portugueses para a situação de vulnerabilidade e perigo que vivemos a cada dia – e para o facto de que todas as crianças portuguesas estão vulneráveis a encontrar-se na mesma situação, dada a legislação existente e a aparente falta de capacidade dos nossos representantes políticos responsáveis por protegê-las quando o pior acontece. A todos os que me leem, peço que levantem a vossa voz pelo Rafael e pelo Felipe – não deixem que esta situação continue. O Rafael e o Felipe merecem voltar para casa e crescer em segurança.

Não desisto de lutar pela felicidade dos meus filhos, Rafael e Felipe; essa é e será a minha preocupação central a cada dia – sempre.

25 de Junho 2026